Dar ou não dar desconto na corrida de táxi?

Dar desconto é uma questão cada vez mais relevante na rotina de milhares de taxistas em diversas cidades do país, uma vez que o mercado foi sacudido com a chegada de novos concorrentes e pela crise que nosso país enfrenta.

Como é de conhecimento geral, existe um valor tabelado no serviço de táxi e uma quantidade definida de motoristas disponíveis em determinada cidade. Nesse tipo de situação, o cliente usufrui do mesmo preço, independente do fornecedor.

No entanto, com a chegada de novos serviços como Uber e Cabify oferecendo preços bem agressivos, falar sobre descontos virou uma necessidade. Senão a prestação do serviço de táxi fica insustentável do ponto de vista competitivo, considerando-se as solicitações de corrida realizadas por aplicativo.

É importante ressaltar que existe a questão da qualidade da prestação do serviço (motoristas atenciosos, carros bem cuidados etc.), que permite a cobrança de valores maiores. Contudo, atualmente com a crise, é razoável supor que a maioria dos passageiros hoje tem interesse determinante por preço.

Como podemos ver, de um lado temos um mercado regulado e, de outro, o surgimento de serviços com preços agressivos. Diante desse cenário, surge uma dúvida na cabeça de muitos taxistas: devo dar desconto para voltar a ter a mesma quantidade de corridas que eu tinha antes? Os descontos podem ser um caminho para recuperar parte de minha receita?

Vamos analisar melhor essas questões nas linhas a seguir.

Desconto quando NÃO há concorrência

Se você é taxista em uma cidade onde não existe concorrência com menor preço, a conclusão mais adequada é de que você não deve conceder descontos, mas existem exceções que você precisa observar:

  1. Caso você queira aumentar o número de clientes adquiridos para ganhar no longo prazo, a estratégia de oferecer descontos pode ser uma opção interessante. 
  2. Se esses concorrentes estão prestes a operar em sua cidade, conceder descontos com a finalidade de se antecipar e sufocar a concorrência antes que ela crie raízes, pode ser uma estratégia bem inteligente.

Desconto quando há concorrência

O raciocínio da seção anterior muda sensivelmente em um cenário onde já existem concorrentes com preços mais atraentes do que o seu, e com serviço, de certa forma, equivalente.

Nesse caso, é muito importante levar o preço para a faixa (não necessariamente colocar preço mais baixo) do que está sendo oferecido pela concorrência, apostar na qualidade da prestação de serviço e oferecer aplicativo de ponta para propiciar conforto e transparência para seu passageiro. Essa é a receita.

Respire fundo, segure as contas, e invista em ganhar na escala, trazendo e retendo mais passageiros. Inclusive de empresas.

Pode ser que a concorrência mencionada não ofereça a qualidade que você pode oferecer e que, eventualmente, ela mesmo possa ter problemas financeiros e não equilibrar suas próprias contas. Afinal, o saco de investimento pode ser fundo, mas não é infinito! Corridas subsidiadas um dia acabam.

Quanto dar?

Caso opte por oferecer descontos para o seu cliente, a próxima pergunta é: quanto devo dar de desconto?

Em primeiro lugar, note que é possível oferecer diferentes descontos de acordo com a data. Por exemplo, você poderá oferecer um desconto X durante a semana e Y no fim de semana. Ou no dia dos namorados o desconto é Z.

Pelo que observamos no Brasil, um valor prático que funciona é: 30%. Esse é um bom número.

Mais do que isso já fica pesado para o taxista e começa realmente a não compensar, a não ser que o desconto excedente seja subsidiado por um terceiro. Lembre-se de que é fundamental que seja bom para o cliente e também para quem presta o serviço, ou seja, o motorista.

Observamos também que desconto de 20% também funciona, atrai passageiro.

Considerações finais

De acordo com o que vimos, a resposta sobre conceder ou não descontos é: depende.

Entendemos que a atual situação seja realmente complicada para muitos taxistas, que estão vendo os seus ganhos e corridas reduzirem, mas é preciso compreender que a realidade mudou e é preciso adaptação. É possível reverter o jogo.

O foco deve ser na aquisição de novos clientes e retenção dos atuais clientes, e não ficar lamentando as perdas.

É imprescindível trabalhar com o pensamento de abundância e não de escassez. Afinal é melhor ter 70% de alguma coisa do que 100% de nada.

Pense nisso, avalie e tome a sua decisão!